quinta-feira, 11 de junho de 2009

Considerações sobre o futuro na DIRCON

É verdadeiramente louvável a iniciativa da DIRCON em proporcionar capacitações e treinamentos aos Fiscais de Controle Urbano. O mais proveitoso dessas “aulas” no meu entender foram os debates onde foram levantados muitos dos problemas práticos encontrados pela fiscalização. E problemas não faltaram.

Também foi muito interessante ver a maneira passiva com que são encarados esses problemas. Modificações nas legislações, reforma nas estruturas físicas das regionais, valorização do trabalho de fiscalização, modernização de um sistema de informatização defazado; tudo isso colocado claramente em cima da mesa, mas visto de forma que parece ser algo muito difícil de ser alcançado. Confesso que é desestimulante ver pessoas na direção de um órgão que tem ciência das dificuldades enfrentadas por todos e tentam tapar o sol com a peneira.

Na última reunião, onde todos os Fiscais de Controle Urbano e os Assistentes Técnicos de Controle Urbano estiveram, talvez o fato mais importante tenha sido o espaço que foi dado aos representantes da AFOUEPE, bem como a outros funcionários que questionaram métodos e estratégias e acabaram por descortinar para aqueles que ainda não tinham ciência as deficiências da máquina que é a DIRCON.

É decepcionante saber que na maioria das vezes os protestos não serão nem ouvidos ou mesmo encaminhados a nossos superiores. Ou se vão, acabam sendo tratados com extrema falta de sensibilidade. Um órgão dirigido por uma pessoa que não consegue ficar por toda uma reunião para ao menos mostrar presença e dar esperanças a seus “comandados” de que aquilo tem alguma utilidade, não dá para se levar a sério.

O secretário de planejamento nem se dignificou a ir ao evento, nem mesmo para a abertura, mandando uma assessora com uma desculpa esfarrapada e que acabou não somando muito. Nossa diretora não tem firmeza para levar uma reunião adiante. Foi logo embora para não escutar a inevitável chiadeira. Reclamações legitimas de funcionários esquecidos e desvalorizados a quem não são dadas nem as mínimas condições de trabalho.

A AFOUEPE, através de seu representante Antônio Paixão, ainda na presença da diretora da DIRCON que logo depois foi embora, falou basicamente todas as reivindicações tanto dos novos fiscais quanto dos antigos. As gratificações por produtividade, a lotação “equivocada” dos Assistentes Técnicos, a estrutura física precária das regionais, a falta de respaldo nas ações que deveriam ser executadas para dar credibilidade e valorização ao trabalho da fiscalização, dentre outras.

Depois a politicagem entrou em cena. Um monte de baboseira hipócrita foi despejada em nossos ouvidos com o único intuito de auto-promoção de algumas pessoas que tratam a DIRCON como sua “casa”, no pior sentido que isso possa ter. Pessoas que já tiveram cargos de chefia em outros tempos e nada fizeram em prol da fiscalização. Se gabar de avanços inevitáveis por pressão politica no passado contando com o apoio de amigos da plateia que também só querem defender seus “peixes” é bom demais. Acontece que a plateia não é um rebanho como eles pensam que são.

Depois que o espaço democrático para debates virou palanque político, com direito até a ameaças as pessoas que se contrapunham em ideias contra aqueles que acham que mandam na diretoria, finalmente a parte boa do encontro: o almoço. A prefeitura nos pagou um almoço descente e disso não tenho do que reclamar.

A palestra seguinte veio em tom amenizador, com uma dinâmica de grupo insossa e bem batida fazendo todos no salão rirem para esquecer a canalhice da manhã. A prova é que o palestrante mesmo admitiu mudanças na sua apresentação que acabaram levando a um papo sem própósito algum sobre espiritualidade e gatos sendo jogados na parede, e o debate mais realista acabou por ser deixado de lado. O povo cheio de sono e fazendo a digestão nem se incomodou muito. Eu, infelizmente não estava tão tolerante e acabei por me retirar do recinto.

O balanço desses treinamentos ao longo do último mês e que se findaram nesse encontro geral entre todos os participantes é de que quem decide o futuro da DIRCON deve levar em consideração (e muito!) as necessidades dos responsáveis pela ponta da lança que é a fiscalização. Temos instrumentos legalmente habilitados para nos amparar em nossas reivindicações. A AFOUEPE, me parece, tem alguma experiência nisso e se faz ser ouvida nos momentos em que é solicitada. Mas não é a única, e nem deve ser. É importante que estejamos juntos num grupo que saiba o que quer e que grite nas horas certas.

A política é inevitável, mas a maioria de nossos direitos estão previstos claramente na legislação e não há motivos para não brigarmos. Isto é reconhecido até pela direção e pela Secretaria. Quem quiser se engajar no jogo político em busca de um “lugar ao sol” (um cargo de chefia por exemplo!) tem todo direito, mas antes de tudo devemos procurar por coisas concretas e que não são nada além de nossos direitos.

Quase nenhum nome foi citado aqui para não ferir sentimentos alheios e para que eu não seja processado.

Entre na comunidade do orkut para futuras articulações ou então fique esperando sua produtividade “cair do céu”!!

1 comentários:

Anônimo disse...

bafonizador, arrazasse aí nas críticas ao teu atual local de trabalho. texto claro e bomde ser digerido. parabéns pelas críticas e coragem de criticar!que orgulho, garoto!

abração

doug

p.s.: espero que seu próximo local de trabalho esteja pronto para o bafonizador que lá entrará!